terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Imaterial


O espaço está fluindo
Para onde?
Efeito do Nbomb
Realidade distorcida
Um doce na língua
Virou um vício acordar no outro dia
Sexo, drogas, ritmo e poesia
Chapei, desenhei, escutei um som
Desbaratinei lendo um livro bom
Faço rimas tão necessárias quanto necessidades fisiológicas 
Vomito ideias
Eu não vivo no físico 
Eu me criei homem
Eu vivo no espírito
A CIA conspirou pra matar Fidel e Che Guevara
Acharam o corpo do Cris em uma vala
Estou fumando maconha prensada
Menino bandido 
As vezes me preservo
Noutras suicido
Já não abraço uma causa
Penso no fim do mundo
E no fim do capitalismo 
Não vejo nada
Previsões embaçadas
Quero morar em Slab City, Califórnia 
Com viciados, punks, hippies, doentes mentais e artistas viscerais
Rappers vem promovendo mentalidade consumista nas letras
Exaltam marcas escravocratas 
Falam um monte de besteiras
Na quebradinha falta comida na mesa
Meu coração vai ser pesado na balança de Maat
Não quero renascer
A cidade astral vai ser minha vibe

(PISICO)

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Divina crônica


No CAPS uma mulher negra doente mental tinha uma teoria sobre Deus que me comoveu
Perder a fé nos enlouquece, meu filho, e beijou minha mão 
Quase não contive a emoção 
É preciso cultuar o ordinário 
E no meio do senso comum perceber os sábios 
Ela cortou cana até enlouquecer
O drama é viver 
Sofrer
Ela disse que é tudo um teste divino
A vida é um jogo
Eu estou me divertindo
Não vejo bicho com nada
Já vendi água na praia
Enquanto catava lata
O cosmos é Deus brincando consigo mesmo
A criação é uma masturbação
Fico me perguntando se está valendo a pena continuar vivo
E sinto que dá pra continuar se ainda há bons livros e maconha pra fumar vendo bons vídeos
Como se Deus tivesse me fodido
Eu havia enlouquecido 
Me trancaram em um hospício 
Uma viciada em crack me confessou um homicídio
O clichê dita que o tempo cicatriza todas as feridas
Só que não 
O tempo é uma ilusão da percepção
Molotov na polícia na manifestação 
Não seja pego
Não vá para prisão 
Transitando por Zonas Autônomas Temporárias 
A revolução é uma festa
Tipo um street de skate
Fumei o último beck do pedaço de cinquenta
E dei a luz a este poema
Eu fumava crack na lata 
Nas ruínas cagadas da quebrada
Enfermo de desespero adolescente 
Bebia aguardente
Já era pra mim estar morto na realidade 
Com esquizofrenia 
Na psicose do crack
Parei de comer
Pálido e raquítico 
Óbito de pedra 
Meu objetivo
Penso em tempos que não voltam
A solidão me devora agora
Vendi droga
Furtei quadrinhos num sebo
Não ligo pro hype
Tô cuspindo no mic
Fumei prensado mofado 
Da Feira do Rato

(PISICO)
 

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Entre as ruínas da existência


A brisa bate e a polícia também 
É toda diversão que nóis tem
Rabisco na mureta
Fumaça subindo pá cabeça 
Ainda faço um documentário 
Sobre poetas arruinados
Nunca sóbrios 
Sempre chapados
Metidos em surubas com veados
Sublime sujeira poética 
Peço licença pra meter na poesia
E gozar na estética 
Foda-se a métrica 
Não sei o que é isso
Com intensidade usufruo das palavras 
Como quem fode uma puta velha
Minha verborragia é trágica e bela
Aceito o roteiro que cosmo bolou para mim
Bolando baseados espero o fim
Fiz o necessário na busca do êxtase
Para buracos negros estrelas são um banquete
Não é uma metáfora 
Interprete como quiser
É loucura fluida
Meu sêmen na cara de uma puta qualquer
Comprar maconha é melhor do que trepar
Curtir um som para reverenciar a natureza
Vendo Tiê no YouTube 
New School MPB
Na sequência um rap sujo
Para um beck acender
Enjoado de pornografia 
Atuei num filme ambientado na Feira do Rato
Gravamos na biqueira 
Crônica do Submundo 
Bolei o título e o texto do bagulho
Tô com as drogas, já 
Peguei na linha
Cinquenta reais
Dez balinhas
Dinheiro sinônimo de felicidade 
Ou superficialidade
Necessidade arraigada na sociedade Realidade capitalista e mediocridade
Classe dominante não é elite 
É desumanidade
Só alma suja curtindo um melô de quebradinha
Indomável
Lirismo abominável 
Dirty Bastard da city
Em meio a pussys, maconha, violência, sujeira e resiliência 
Negritude e sapiência das ruas
Convívio na picadilha, vivência

(PISICO)

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Não queremos crescer


Brinco com meu corpo de carne e osso
Curto drogas, sexo e sou louco
Mas minha alma é imortal
Na morte irei para uma cidade astral
Ninguém morre realmente 
Também dominam esse conceito os sábios do oriente
Chapado na alucinação da palavra
Verborragia trágica 
Noiados, crack, polícia, massacre
Misturei uísque com coca cola
No decorrer da festa comi sobras de pipoca
Dormi na rua saindo da offhouse
Vendo Sonic Youth no YouTube pela manhã trancado no quarto
Fumando um baseado
Larica é pão assado
Os crentes do culto da doutrinação junkie estão seguindo em frente 
Tal qual um carro desgovernado prestes a causar um acidente 
Overdoses, suicídios, assassinato em massa
Somos velhos adolescentes em perigo
Nos recusamos a crescer e ver nosso cabelo caindo
As drogas acabaram
Fiquei deprimido
Com uma lata de refrigerante fiz o meu cachimbo

(PISICO)

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Espírito sujo


Eu nunca irei ficar rico através do rap
Um viado negro bêbado me pagou um boquete
Ser underground não é tão glomouroso
Anonimato, drogas, biqueira, pipoco
A vida é um jogo
Este meu corpo é um avatar
Depois de morto irei retornar
Para o sistema maior de consciência 
Para voltar a jogar
Tom Campbell elaborou a teoria da realidade simulada
É sério que você irá o questionar
Sem ter propriedade para contra argumentar?
Leu meia dúzia de livros e quer me ridicularizar
A minha poesia é esotérica 
Longe de lugar comum
Sem me preocupar com a métrica
Sim, a vida bela
Em meio a todo caos e miséria 
Tudo isso se torna superficial
Quando nos confrontamos com o essencial
Nosso corpo espiritual
Fractal da fonte que tudo é 
Deus é 
Eu sou o divino manifesto 
Em cada gesto
Da sujeira da sociedade
Para a espiritualidade 
Efêmera fisicalidade

(PISICO)

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Matrix


Neo estava preso na Matrix a sonhar
Até Morpheus o libertar 
Sociedade do espetáculo
Simulacros e simulação 
Humanos massificados
Rappers de plástico
Estereotipados 
Descartáveis tipo absorvente usado
Aqui chove balas para todos os lados
Tô fumando um baseado
Nos fones de ouvido
Um gangsta rap fluindo
Fim de tarde caindo
Casos de suicídio infantil na tela do instagram
Arrasto pra cima
Na brisa vou bolando umas rimas
A maconha acabou
A depressão voltou
E as lembranças
Nas antigas chacoalhava o clorofórmio na garrafa d'água encontrada no lixo da praia 
Loló e cachaça 
Punk rock e as primeiras garotas
Beijo na boca
Mão na buceta e na rola
Presentes do universo
Não existe errado
Não existe certo
Tô cozinhando
Ouvindo MPB no Rádio
Dois becks me deixaram lombrado
Larica monstruosa
Só tinha macarrão com sardinha
Muito daora
Se é o que tem a gente come
Uma mãe negra nunca me deixou passar fome
Mesmo quando morávamos numa casa de taipa no interior
Mulheres pretas não são vadias 
São deusas
Mas nesse mundo sujo 
Tem muito malandro rafamé
Que não representa a quebrada
Maluco dá no pé
Deixando uma mina negra grávida 
Big bosta Brasil
É minha pica suja no cio
Não consumo esses lixos televisivos
Leio quadrinhos Vertigo 
E livros usados adquiridos nos alfarrábios
Tomo remédio controlado
Se não me torno periculoso surtado
Já perambulei ensandecido vandalizando os carros
Hoje sonhei que era um membro cascudo do Wu Tang Clan e metíamos um assalto
Mãos ao alto
Estou roubando a cena de fato
Fudendo a vida de quatro
Andando sempre chapado
Com o Mr. Off tô dropando um doce
Estamos vendo a porra do universo derretendo em cores
Fazendo fumaça
E o pensamento longe
Eu continuo queimando fumo
Longe da polícia 
Eu nunca li a bíblia
Mas minhas linhas são apocalípticas
Morte aos vermes
Mandaram matar Marielle
Rachando no bairro
Só fiz golaço
Pés descalços
Adversários fracos
Escrevendo no quarto
Compus uns clássicos
Mente vazia
Oficina do diabo
Inaceitável
Liricista nato
Mc's fracos
Executá-los-ei
Jamais irei escutá-los
Playboys folgados
Serão massacrados
Com as minhas rimas
Cometo assassinatos
Me deixem em paz
Racistas otários
Manos mortos violentamente
Na city ande sempre atentamente
A gente é tratado como bicho pelo Estado que promove o genocídio de pobre, preto, favelado
Eu tô ligado
Ruah foi assassinado gratuitamente nas ruas do jaçamaica injustamente
O piva não devia nada
Deixou saudade na rapaziada
O tempo voou agora tenho mais de 30
Não virei estatística
Mas hoje perdi a noção
Do tempo e do espaço
Sonhei com uma gostosa
Trepando de salto
Acordei num sobressalto
Com uns versos engatilhados 
Passando a mensagem sobre nos libertar
Eu expandi consciências
Antes limitadas
Condicionadas a aceitar
O que nos empurram goela abaixo para nos escravizar
Propaganda subliminar
Está no ar
O colonizador quer me reprogramar
Com suas balelas sobre o que eu tenho que comprar
A mais nova porcaria que feliz me fará
Eu dou muitas risadas os vendo discursar
A nova ordem mundial
Hahaha
Minha consciência racial eles não podem tirar
Eu sou uma ideia a prova de balas 
Tipo o V de Vingança 
Eles não podem me matar
Mas com certeza irão tentar
Nem um passo atrás
Eu não vou recuar
Pra encerrar eu mando um foda-se
Zica vai morrer pra lá

(PISICO)

Fuga da realidade


Tem crack, maconha e cocaína
Buceta de puta fresquinha
No mercado da produção
Onde deixei minha pixação
RMO e PISICO 
Rabisco perto da biqueira na estação
Ninho de nóia em papelão improvisa o colchão 
Balinha de cinco na linha do trem
Eu fumo também
Encaro a realidade para fugir dela
Após três baseados a vida é bela
Entre tragos e tragadas
Um cigarro após o outro atravessando a madrugada
Dropando umas películas pornográficas
E uns noisecores
Destruindo os acordes
Enquanto o povo se fode 
Na faixa de gaza os palestinos morrem
O Hamas é terrorista 
Mas na realidade é Israel que aterroriza
E os yankees patrocinam o conflito genocida que abate a Palestina
Na minha adolescência a cachaça, o loló e a massa era o que havia
No breu dos vícios a mente se refugia
Ando meio sóbrio hoje em dia
Só fumo uns baseados 
Pego leve no álcool
E de vez em quando dou uma trepadinha
Passo tempo 
bolando as mais sujas poesias

(PISICO)

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Tédio


Tarde triste e monótona 
Desejando a morte
A solidão está me matando 
No amor não dei sorte
Saturado de leitura, filme e música 
O tédio me consome em sua forma mais pura
Escrever me salva da amargura
Autêntico suicida
Poeta das ruas
Mas a noite vai chegar
E sob seu manto negro irei me refugiar a fumar
O vazio me inspira
Me instiga a pensar
No bloco de notas do celular
Desenrolo meu cérebro para me esvaziar
Mergulhando no vácuo 
Como quem imerge no mar
Tudo o que é sólido se desmancha no ar
Eis o cosmos a dançar

(PISICO)

Derrotados


Fracassado da sociedade
Status social 
Depressão e ansiedade
No futuro levaremos o vírus humanidade cosmos adentro para outras partes
Infectando o mundo surgiram as grandes cidades
No caminho haviam pedras de crack
Nele os manos se perdem na criminalidade
As margens da sociedade
Não gozam de oportunidades
Não lhes dão a dignidade
Trabalho decente e faculdade
A branquela cega madame justiça dedico esta letra
Meninas negras pagando pó na biqueira com a buceta
Odisséia afro-brasileira
Foda-se a grega
Meninos esmolam na porta da igreja
Mendigos vivem como cães
Assaltando as lixeiras
Bem vindo ao banquete azedo dos punks mais podreiras
Sim, estou revoltado
Filho de mãe negra solitária na floresta de concreto e aço 
Gratidão a Deus?
Quanta besteira
Talvez ele não mereça
Prefiro bater punheta
Assistindo pornografia trans a noite inteira 
Homens em desarmonia com a natureza
Me causam tristeza
Só a maconha cura as dores de cabeça
Famílias inteiras perdem tudo na enchente
Para a Brejal o prefeito receitou aguardente
Saneamento é trágico
Mas a todo momento tem repressão do policiamento fortemente armado
Porcos fardados são bonecos do Estado
Cães de guarda dos ricaços 
Programados pra matar favelados
Povo idiotizado
Assiste a tudo calado
Anestesiados
Na esquina da quebrada a mulecada adianta um barato 
Vendem a cinco conto um instante mágico
Habeas corpus negado pra mãe que furtou uma fralda
Pano passado pra quem rouba de braçada
Os politiqueiros do palácio da Alvorada
Terroristas bolsonaristas
Vandalizam prédio público em Brasília mas não dá nada
Pois o STF libera na canetada
Ação penal foi negada
A branquitude acobertada
Racistas fazem a farra
Vida desgraçada
Trampando no busão 
Tô entendendo nada
Mas a regra é clara
A burguesia fode a classe proletária
Classe dominante parasitária
Trabalhador aqui é puta barata
Minha força de trabalho é 
paga com migalhas
Na informalidade não tenho direito a nada

(PISICO)

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Cemitério dos vivos

Estive pensando na teoria do macaco chapado. O cérebro primitivo evoluindo graças ao uso de cogumelos mágicos. Pintores rupestres brisados rabiscando algo. Ouvindo em cores. Enxergando música e voando alto com a percepção amplificada. Fluindo em orgias e danças transloucadas. Emitindo ruídos. Inventando palavras. Fudendo cada momento. Em harmonia com o natural. Além de qualquer moral. Flutuando na eternidade. Sentindo a unicidade. O todo e o amor incondicional por toda humanidade. Na modernidade malassombrados são usuários de crack atirados as sarjetas mais imundas da cidade. Vitimizados por uma necropolítica existente para condenar a morte os miseráveis. Humanos enlouquecidos são abandonados em hospícios. Fábricas de mortos vivos. Outros esquecidos em presídios. De onde sairão impelidos a cometer novos delitos. Sociedade de controle e punitivismo. A cracolândia é um crime político. Proíbam a fome. Legalizem as drogas. Tornaram ilícita uma erva medicinal para legitimar a repressão estatal e intervenção militar na favela da força policial mais letal a nível mundial. Mas o esgoto entupiu e a merda voltou. A ralé saiu da grota e meteu um latrô. O lixo que o sistema produziu e não conseguiu afastar dos olhos em espaços de exclusão precários e impróprios. Prisões. Hospícios. Internamento compulsório. Em Barbacena os internos comiam as próprias fezes e bebiam água do esgoto. Pela manhã retiravam os corpos. No total foram sessenta mil mortes pela fome, frio, tuberculose. E quantos manos encarcerados em presídios de forma arbitrária. Em celas superlotadas. Negaram o contexto e sem apurar os fatos julgaram os seus atos. Lhes deram o direito de permanecer calados. Silenciados por um sistema autoritário. Por anos a fio permanecem exilados. Os que saqueiam cofres públicos passeiam de carro blindado. São cumadres dos banqueiros e empresários estelionatários. Que elegem seus fantoches para cargos no planalto. Onde eleitor alienado participa de um processo pseudodemocrático. Eleitorado manipulado elege tipos Bolsonaro. Sabotam nossa educação. Nos fecham as portas da percepção. Perigo para o sistema boa instrução. Cidadão informado faz revolução.

(PISICO)

Da nóia a Braskem criminosa


A cinza e a pedra por cima
Uma tragada 
Um teco na lata furada
Não tem fita certa
Não tem fita errada
A moral do nóia foi morta a facadas
Braskem quanto vale o sal de nossas lágrimas?
Frase pixada nas ruínas de uma casa abandonada
Nesses bairros fantasmas
Onde na adolescência perambulava
Fumando, trepando, bebendo nas praças
Bom Parto, biqueira, quintal cultural
Tenho uns amigos no Flexal
Quebrada negligenciada
Descaso Estatal
Em nome do lucro
 da multinacional

(PISICO)

domingo, 13 de outubro de 2024

Iluminado


Buda compreendeu uma verdade filosófica sentado meditando
E eu bebendo e fumando
Rimando e socializando ideias com os meus manos
Luta de classes, racismo, fascismo cultural
Mas sigo fazendo rap contra o capital
Eu abri as pernas para o todo penetrar-me 
Numa verdadeira orgia
Eis que os deuses gozaram dentro
Sem camisinha
Meu pescoço não está brilhando 
Não canto a grana que não tenho no banco, vai vendo
Por enquanto estou disparando apenas pensamentos 
Na derrota restou a poesia
Fui no brega e a puta estava fria
Somente a cerveja gelada e a maconha prensada trouxeram alívio e salvaram meu dia
Estou lendo a biografia do Kurt Cobain 
Ele foi um junkie suicida
E eu sou também
Dinheiro sinônimo de felicidade 
Ou superficialidade
Necessidade arraigada na sociedade Realidade ou mediocridade
Classe dominante não é elite 
É desumanidade
Peguei umas drogas na linha do trem
Cinquenta reais dez balinhas
Subterfúgio de alguém que mais nada tem
Ideologias, Deus, filosofias 
Refúgios da mente num cosmos enigmático experienciando a si mesmo através do humano limitado
A deriva no tempo e no espaço 
Me sinto um monge iluminado
Fluindo drogado 
No caminho do universo 
Sou a natureza
Meus irmãos são os astros

(PISICO)

Cigarretes


Estou pelado fumando um cigarro no meu quarto deitado
E ao meu lado na cabeceira tenho Blade Runner 
Romance que peguei emprestado com o off meu chegado
Na telinha transexuais fazem uma orgia
Sou viciado em pornografia
Acabei de ver um episódio de Alienígenas do passado
Eram os deuses astronautas ou Daniken está errado?
O cigarro na bituca queimou os meus dedos 
Quase incendeio a porra do quarto
Escrevendo no escuro
Acendo outro cigarro
Queria mesmo um baseado
Vou colar num punk rock em Jaraguá
Para compensar a semana inteira a trabalhar para me alimentar
Na informalidade a labutar
Debaixo de um sol escaldante
Nordeste faz um calor da peste
Sou das ruas de Maceió - AL
City violenta
Pobreza virulenta
Tem gangue fardada
Atuando na madrugada
Mataram Nô Pedrosa em sua própria casa
Triste fim de um anarquista e sua trajetória
Virou memória
Relembrado agora
Retornou ao cosmos
Poeira cósmica
Sigo noite adentro escrevendo e fazendo fumaça
Vou matar um maço 
Essa porra ainda me mata
Lembro de quando bebia com os caras nas calçadas 
Vodka e refrigerante de laranja a gente misturava
Fumava maconha prensada
E muito tabaco 
Cigarro da marca mais barata
Hoje ando meio careta
Em vibes moderadas
Só curto um beck e uma gelada
Nada de drogas pesadas
Cocaína e crack são águas passadas
Mas de qualquer forma eu não tenho futuro
Compus isto num freestyle sujo
Enquanto sonhava com o fim do mundo
O universo é a mente de um Deus absurdo
Conheço uma gota d'água
Ignoro um oceano
É, tô vendo muita série este ano
Meus dias são darks
Cinzentos e suaves
Atravesso com serenidade a tempestade de melancolia que me transpassa
Retorno sempre ao breu do nada
Não vejo saída para tamanha desgraça
Fecho os olhos e o escuro do vazio me envolve e me devolve a essência cósmica intangível que me compõe
Sou uma poesia em carbono
Energia, átomos atirados ao acaso
Sem sentido
Sigo com os sentidos corrompidos, deturpados, viciados, envenenados
Declinando no ocaso
Monges budistas flagrados usando drogas
Alcançaram o nirvana
Eu larguei o crack 
Fumei a minha cota 
Estou a pampa agora
A sujeira da rua me trouxe a sabedoria de um GG Allin
Messias do mundo junkie
Redentor da humanidade
Um pivete loko
Com os dedos queimados
Me pediu um trocado 
Pra fumar um mesclado
Dei a esmola 
E cada um foi pro seu lado
Carregando o seu fardo
Sísifo na lata do lixo
Buscando solução 
Paz e pão 
Socialização dos meios de produção 
Capitalismo da depressão 
Favela sente a 
repressão 
Navio negreiro
Em forma de camburões 
Corpos pretos
Lotando as prisões

(PISICO)

Beatitude


Santos os mendigos desconhecidos
Sofredores e fodidos
Santos os loucos enclausurados em hospícios sujos sofrendo maus tratos surtados e dopados
Santos os drogados
Usuários de crack e prostitutas
Personagens das margens
A magia das cidades
Santos pixadores rabiscando prédios abandonados e vagabundos iluminados nas ruas cerrando cigarros e doses de álcool para tornar suas vidas menos miserável, os miseráveis vivendo na penúria a base de esmolas
Santo o vendedor ambulante correndo atrás do ônibus e subindo pela traseira  
Contar centavos é angustiante
Mas ele tem um cigarro de cinquenta centavos
Um trago de pinga e o pigarro
Escarrando na vida
Cuspindo no prato raso de sua existência em decadência de subproletário
Santos artesãos
Micróbios experienciando a liberdade absoluta sob a luz do sol
E contemplando a lua
Se banhando na chuva 
Vagando livres, maltrapilhos e errantes mundo adentro 
Perdidos imersos em bons pensamentos 
Mochila nas costas
Chapados de paz, sonhos e drogas
Santos afrodescendentes
Tomando enquadros e socos da polícia racista
Santos skatistas e punks de rua bêbados metidos em seus jakos surrados cheios de rebite pogando ao som de ruídos inaudíveis
Santa travesti
Geni e o zepelim
Apedrejada
Ela chupava qualquer um
Ela foi feita pra apanhar
Ela foi feita pra cuspir
Enfim...

(PISICO)

sábado, 12 de outubro de 2024

Autocrítica


Dei um trampo
Mandei dinheiro para minha mãe
Ela já não me odeia tanto
Outro dia sonhei roubando um banco
Se eu cometer um latrocínio
A vítima será um playboy branco
Desculpa mãe por não ter correspondido às suas expectativas
Você só queria que eu estudasse
Mas eu estava na rua bebendo pinga
Aprendi andar de skate, fumar maconha, crack e cheirar cocaína 
Até que devorei uns tantos romances
Que me ajudaram com minhas poesias sobre minha vida em ruínas
Através delas emergi nos escombros
De pé procuro alternativas
Numa overdose vejo a saída
Temo reencarnar
Estou virando espírita
Minha lírica é terrorista
Rap fundamentalista
Tipo um homem bomba anti-racista explodindo em Brasília em nome da justiça 
Abaixo o sistema capitalista
Frio na espinha
Estourou a camisinha
Se aquela mina tivesse engravidado o que minha mãe diria?
Eu não tinha trabalho
E só vivia surtado e drogado
Um pobre coitado
Com esquizofrenia
Acabei num hospital psiquiátrico
Se não tivesse sido internado teria me suicidado
Parei de comer e emagreci pra caralho delirando no quarto
Devo minha vida ao Haldol injetável
Saíndo do hospício consegui um emprego com fotografia
Meses se passaram e ganhei peso
Passei a frequentar puteiro com o meu salário
Pedi demissão do trabalho 
E quem diria que ao crack eu retornaria
Conheci uns playboys 
Uns caras brancos meu vício sustentariam
Madrugada chuvosa e a gente na grota fumando porcaria
Com a boca na lata ou cheirando uma farinha
Coitada da minha mãe me esperando em casa
Um filho vagabundo que só a decepcionaria

(PISICO)

Ataque de tinta


Pixação, subversão da ordem 
Negação, processo de ressignificação dos espaços, paredes brancas e propagandas não me dizem nada, não!
O pixo é um grito contra o estabelecido
Pixar! Modificar! 
Arrancando meros expectadores da mediocridade de seu cotidiano diário ordinário 
Modificamos o espaço urbano
O convertemos em algo extraordinário 
Convenções a parte
Pixação é anti-arte 
Caligrafia fora do padrão 
Alfabeto distorcido
Psicodelia em rabiscos 
Risco de repressão 
As cidades pertencem aos cidadãos
Que as constroem
Capitalismo destrói 
Somos a reação 
Consequência da sua ação devastadora e opressora
Que fez de mim vilão
De latas em mãos 
Ganhando a movimentação da rua na missão
Ataque de tinta
É o enxame é a sigla
Trombei o RMO e o Pé 
Fluíram umas folhinhas no rolé 
Pixação é interação real
Consciências fora da Matrix global
Salve para Pixal, Corvus, Uaral
As gangues estão munidas
De fat caps disparamos
O tédio assassinamos
Somos agentes ativos transformadores
Não público passivo
Não somos atores
E sim vivenciadores
Ladrões da normalidade
Construtores da nossa realidade
A quem pertence a cidade?
A todos os pixadores
Inalando poluição implodimos em letras e cores
Nos quatro cantos do cenário
Nos reapropriamos da paisagem da cidade
Transgressão por diversão 
Ordem oculta da contravenção
Um berro, prazeroso tal qual sexo

(PISICO)

PISICO - VIDA VADIA


 

Neofrenia

Nostalgia daqueles dias de magia e rebeldia juvenil. Éramos jovens neofrênicos. Bebendo água ardente. Punks. Drunks. Gênios. Fanzines. Sexo. Drogas. Diversão o dia inteiro. Na saída da escola colava na praça com os skatistas lombreiros. Juventude transviada. Bebendo catuaba. Capotava e virava a noite chapado na calçada do Pinheiro. Hoje bairro fantasma. Lembrava o Uivo de Allen Ginsberg. Eu vi os expoentes da minha geração mendigando uma dose de pinga com limão. A intera do litrão. Mangueando e causando confusão. Tumultuando. Cantando uma canção. Sobre anti-heróis do passado. Algum velho hippie ou uma sapatão. Diversão de montão. Amanhecia na praia. Chegava de ressaca em casa e vomitava no chão. Correndo na contramão dessa gente morta. Acordam. Trabalham. Comem. Dormem. Enquanto se fodem. Não gozam direito a preguiça. Por essa razão vivem indiferentes. Incapazes de questionar, assimilar e desenvolver pensamentos revolucionários. O ócio as libertaria. Pois teriam tempo para pensar. Pessoas exaustas. Mijando em suas próprias vidas. Estão fudidas. Ficarão mais ainda e morrerão… Era só um pivete. Jogava Donkey Cong numa tv de quatorze polegadas. Assistindo cine privê atravessava a madrugada. Devia ter uns quinze anos e mais nada. Navegava no myspace. Hardcore. Punk. Demos. Vídeo tapes de skate. Conheceu os vícios. Parou num hospício delinquindo contra o estabelecido. Lia uns tantos livros. Chapava de cana e cheirava comprimidos. Fudido. Menino perdido. Inapto para um sistema opressivo. Incapaz de se manter vivo. Foi seduzido pela morte. Induzido ao suicídio. Fechou a porta atrás de si. Cansou de existir.

(PISICO)

Vida vadia


A última vez em que me senti vivo. Foi num banheiro sujo. Entorpecido. Durante um intercâmbio de fluídos. Fudendo um corpo desconhecido. Era carnaval e o doce deixava o mundo mais colorido. Divertimento ou mero escapismo. Enquanto os pretos sofrem genocídio. Nosso revide será tipo um regicídio. Assassinatos políticos. Nada é verdadeiro. Tudo é permitido. Seja realista, exija o impossível. O todo é mente. O universo é mental. Eu fumei a pedra filosofal. Numa biqueira extradimensional. Sinto um mal estar social. O pessimismo e o capital. Busco refúgio na arte. E suas infinitas possibilidades. Questiono a realidade. As paredes da cidade estão cada dia mais belas. Só pixo na régua. A city é uma tela. Vagando nela divago sobre o nada. O átomo, o álcool, o vácuo, a matéria. O cosmos é uma droga psicodélica. A vida é um sonho. Eu sou o Sandman. Fazendo poesia sem assepsia. Pau no reto dessas patricinha. Um salve pá tiazinha que trabaia 30 ano e anda a pé. Consciência de classe nunca é demais, mané. Você não é afavor de cotas raciais. Porque não tem a cor dos alvos preferenciais da bala. Que nunca dá perdido na quebrada. Aqui onde o branco invasor dizimou o povo nativo. Olho pro céu. Contemplo os astros. A vida é uma puta. Bota a calcinha para o lado. Deus é incognoscível. Um mistério insondável. E quando o vazio parece intragável acendo um cigarro. Fumo um eight. 25 centavos. Vejo pretos morando nas praças. Sequestrados da mãe África onde éramos reis e rainhas. Hoje em diáspora. Ancestralidade estuprada. A deríva crianças de esperança abortada. Trepando com a morte fumando na lata. Faz um corre no busão o vendedor de bala. No sinal tem malabarista e vendedor de água. Subempregados. O entregador no pulo do gato desvia dos carros de bicicleta. É tudo escravidão moderna. Ontem Mocambos. Hoje favelas. Se todo meu ódio ao Estado pudesse ser bolado. Eu jogaria na seda e daria vários tragos. Vagando procurando diversão. Vejo mulheres pretas em situação de prostituição. Sem tempo pra revolução. Trombo a rapaziada num rolê pela quebrada. Bebemos catuaba ou pinga. Encontramos no vício a saída. O crime nos mataria. A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria. Nos enquadro da polícia branco sai, preto fica. Na rua tem que ter as mandinga. Para fazer um peão no sabadão pulava a catraca. Voltava às 6:00hs da matina. Desmaiado no fundão do busão. Vomitando até as tripa. Passando na avenida via travestis pretas que se vendiam a brancos que as comiam depois as cuspiam. Um homem chapado, largado, mendigo, enlouquecido me sorria ébrio. Invisibilizado. Imerso na miséria de seus dias. Sempre a mesma merda. Basquiat já dizia.

(PISICO)

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

PISICO - INESCRUPULOSO


 

Anjos do caos


Pertenço a aristocracia dos vagabundos iluminados. Mendicantes. Desempregados. Errantes. Únicos. Libertários. Transitamos em zonas autonomas temporárias. Criminosos exemplares. Arte como crime. Crime como arte. Anarquista ontológico. Nascido póstumo. Resíduo primordial. Fruto apodrecido do sêmen divino transcendental. Um playboy moscou no bagulho. Realizei um furto. Pivete problemático. Alice no país do ácido. Estou acessando estados de consciência extraordinários. Fui ao exoplaneta Lama criado por Daminhão Experiença fizemos um fanzine punk pogamos e comemos vento. Viajei no tempo e trombei a irmandade dadaísmo em 3020. Fumamos haxixe com a patrulha do destino. Recortei, colei e criei palavras com Tristan Tzara. Inventei o noisecore antes do fascista Marinetti e Luigi russolo. Acho que fui um filósofo cínico na Grécia Antiga em vidas passadas. Transei na rua com Hiparquia. Eu vi o lobo da estepe com a navalha no pescoço diante do espelho. Adolescentes bêbados sodomizando alguém em troca de dinheiro. Marquês de Sade blasfemando. Fudido pelo rabo no pelo. Sidarta Gautama ascendendo ao nirvana sob efeito da planta num instante perfeito e a transvaloração de todos os valores quando o álcool fez efeito.

(PISICO)

Junkiage filosófica


Penso onde não sou
E sou onde não penso
Lacan é intenso
Eu poderia tá traficando
Mas escolhi o conhecimento 
O quinto elemento
O álcool entrou na minha vida muito cedo
Aos 15 anos eu já dormia ao relento completamente bêbado 
Punk junkie
Pobre e negro 
Boêmio inveterado 
A flor do meu bairro tinha o lirismo da lua
Dizia o sábio
Pastor evangélico estuprou menina de dez anos
Deu pílula do dia seguinte
Zé povinho passa pano
Numa calçada um bebum adormecido sobre o vômito de outra alma desgraçada 
Em seus bolsos os nóias não acharam nada
Passou a noite flertando com putas e viados
Amanheceu capotado
Muito loko de doce, pedra, farinha e álcool
A vida se cria no delírio 
E se desfaz no tédio
Escreveu Cioran insone
O último dândi
Matei 25g
Tô sem maconha 
É horrível 
Automaticamente comecei a escrever uma crônica incrível
Vi um cara se masturbando no banheiro da rodoviária 
A puta de boutique é universitária
A maloqueiragem me fascina desde criança 
No carnaval cheirando um lança
Vejo noiados a
bandonados e sem esperança

(PISICO)

O mundo não tem cura


Pensar é um ato
Sentir é um fato
Eu e Clarice Lispector 
Num coito literário 
Eu amo a vida
Mas sou amigo da morte
Saúdo o menino preto morto pelo BOPE 
Que morava na grota 
E roubava os brancos na orla
Minha mãe conta de quando vestida de roupa de chita
Ia pra igreja pra não levar outra pisa
O drama de uma nordestina
Me comove, revolta e instiga a escrever
O poeta quer dizer
O que há de se fazer?
Escrevo com o corpo
Fantasio pouco
Crônicas de um louco
Fatos que me causaram desgosto
No hospício sujo dormia no chão a tarde
Num banheiro imundo fiz minhas necessidades
Lá só havia abandono, medo, tristeza, saudades e nenhuma piedade
As vezes sinto que estou cansado de viver
O que amadurece pode apodrecer 
Existir não é lógico 
Mas isso não é tão óbvio 
Caso de loucura
O mundo não tem cura
Acho que meu vizinho está batendo na mulher
Gritaria, baixaria
Qualé, mané?
O cosmo não tem finalidade
É onde tudo é permitido 
Toda imoralidade
Em condições análogas a escravidão 
Um asiático produz um Nike 
E carece de pão
Tô catando as bagas no cinzeiro 
Ritual de todo junkie verdadeiro
Extasiado gozando por cada poro
Larica é Nissin com ovo mesmo
Distraído lendo um filósofo francês 
Evito o fardo do tempo
Numa fuga implacável do vazio
Às 4hs da manhã de um dia frio
Mais uma estrofe agora fluiu
Com muito lirismo no cosmos surgiu
Mais uma poesia suja
Puta que pariu
O cinema nacional vai salvar
O melhor da sétima arte para apreciar
Pixote, Febre do Rato, Dias de Nietzsche em Turim
Vários clássicos
Me sinto contemplado
Cuspindo mais um poema sofisticado
Eu nunca sou raso
Fumei toda a erva 
Larguei o vício em álcool 
Um homem de excessos 
Tornou-se moderado
Putas cobram caro
Estou desempregado 
Me sinto um fracassado

(PISICO)

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

PISICO - PSICOTROPIA NIILISTA


 

Doce


Éramos dois estranhos na fila do banheiro do bar
Ela começou a roçar o rabo em mim
Entramos no banheiro 
Ela me chupou sentada no vaso
Levantou e virou a bunda
Tirou a calcinha
A camisinha rasgou
Pus outra
Mas perdi a ereção 
Meti no cú da travesti com o pau meio mole
Era o doce fazendo efeito
Nbomb
Lsd falso

(PISICO)



Poeticidade cósmica lisérgica


A brisa do doce acaba pela manhã 
Revelando o caráter trágico de uma existência vã
Miséria existencial
Me leva a fuga de mim mesmo
Solitário mendigando afeto
Um cigarro
Um beijo
Pensando na loucura cósmica de um Deus surtado que no Big Bang implodiu em infinitos pedaços 
E se expandiu num lapso
No tempo e no espaço
Atirado ao acaso
A causa não causada
Energia de vida
A intenção primeira
A consciência é o resultado do  esperma divino semeado 
A vida é uma viagem de ácido 
Como uma onda está para o oceano 
O indivíduo está para o universo 
Alan Watts 
Dissolução do ego
O que é você se não uma farsa?
Energia condensada que se disfarça 
O passado, o futuro e o presente existem simultaneamente 
A passagem do tempo é ilusão 
Matéria em desorganização
7hs da manhã de um belo Sábado
Estou lombrado no meu quarto 
Ouvindo bregafunk nas alturas
Bandidagem e putaria
A larica bateu 
Sou um fractal de Deus
Parte menor do maior
Incognoscível mistério divino
Transito pelo metafísico transcendental 
Vibe espiritual não dogmática
Leio uma hq do Grant Morrison
Mago do Caos
Em Os Invisíveis (HQ): Gnosticismo, Viagem temporal, LSD, budismo, Hip Hop, anarquia, punk rock, etcetera e tal...

(PISICO)

De pernas abertas para vida


Um passarinho equilibrado no fio cantarolava
Enquanto eu pensava e fumava
O tempo passava e se esgotava de si
Um demônio me falou do eterno retorno 
Estou pronto para viver de novo
Cada lágrima de dor
Cada espasmo de prazer
Eis todo tesão de viver
Sem maiores porquês
Para quê? 
Para fuder, doer, chupar, lamber
Dropando uma existência gratuita
Na minha cama uma prostituta
A brisa bate e a polícia também 
É toda diversão que nóis tem
Rabisco na mureta
Fumaça subindo pá cabeça 
Ainda faço um documentário 
Sobre poetas arruinados
Nunca sóbrios 
Sempre chapados
Metidos em surubas com veados
Sublime sujeira poética 
Peço licença pra meter na poesia
E gozar na estética 
Foda-se a métrica 
Não sei o que é isso
Com intensidade usufruo das palavras 
Como quem fode uma puta velha
Minha verborragia é trágica e bela
Aceito o roteiro que o cosmo bolou para mim
Bolando baseados espero o fim
Fiz o necessário na busca do êxtase
Para buracos negros estrelas são um banquete
Não é uma metáfora 
Interprete como quiser
É loucura fluida
Meu sêmen na cara de uma puta qualquer

(PISICO)