domingo, 13 de outubro de 2024

Cigarretes


Estou pelado fumando um cigarro no meu quarto deitado
E ao meu lado na cabeceira tenho Blade Runner 
Romance que peguei emprestado com o off meu chegado
Na telinha transexuais fazem uma orgia
Sou viciado em pornografia
Acabei de ver um episódio de Alienígenas do passado
Eram os deuses astronautas ou Daniken está errado?
O cigarro na bituca queimou os meus dedos 
Quase incendeio a porra do quarto
Escrevendo no escuro
Acendo outro cigarro
Queria mesmo um baseado
Vou colar num punk rock em Jaraguá
Para compensar a semana inteira a trabalhar para me alimentar
Na informalidade a labutar
Debaixo de um sol escaldante
Nordeste faz um calor da peste
Sou das ruas de Maceió - AL
City violenta
Pobreza virulenta
Tem gangue fardada
Atuando na madrugada
Mataram Nô Pedrosa em sua própria casa
Triste fim de um anarquista e sua trajetória
Virou memória
Relembrado agora
Retornou ao cosmos
Poeira cósmica
Sigo noite adentro escrevendo e fazendo fumaça
Vou matar um maço 
Essa porra ainda me mata
Lembro de quando bebia com os caras nas calçadas 
Vodka e refrigerante de laranja a gente misturava
Fumava maconha prensada
E muito tabaco 
Cigarro da marca mais barata
Hoje ando meio careta
Em vibes moderadas
Só curto um beck e uma gelada
Nada de drogas pesadas
Cocaína e crack são águas passadas
Mas de qualquer forma eu não tenho futuro
Compus isto num freestyle sujo
Enquanto sonhava com o fim do mundo
O universo é a mente de um Deus absurdo
Conheço uma gota d'água
Ignoro um oceano
É, tô vendo muita série este ano
Meus dias são darks
Cinzentos e suaves
Atravesso com serenidade a tempestade de melancolia que me transpassa
Retorno sempre ao breu do nada
Não vejo saída para tamanha desgraça
Fecho os olhos e o escuro do vazio me envolve e me devolve a essência cósmica intangível que me compõe
Sou uma poesia em carbono
Energia, átomos atirados ao acaso
Sem sentido
Sigo com os sentidos corrompidos, deturpados, viciados, envenenados
Declinando no ocaso
Monges budistas flagrados usando drogas
Alcançaram o nirvana
Eu larguei o crack 
Fumei a minha cota 
Estou a pampa agora
A sujeira da rua me trouxe a sabedoria de um GG Allin
Messias do mundo junkie
Redentor da humanidade
Um pivete loko
Com os dedos queimados
Me pediu um trocado 
Pra fumar um mesclado
Dei a esmola 
E cada um foi pro seu lado
Carregando o seu fardo
Sísifo na lata do lixo
Buscando solução 
Paz e pão 
Socialização dos meios de produção 
Capitalismo da depressão 
Favela sente a 
repressão 
Navio negreiro
Em forma de camburões 
Corpos pretos
Lotando as prisões

(PISICO)

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