sábado, 12 de outubro de 2024

Neofrenia

Nostalgia daqueles dias de magia e rebeldia juvenil. Éramos jovens neofrênicos. Bebendo água ardente. Punks. Drunks. Gênios. Fanzines. Sexo. Drogas. Diversão o dia inteiro. Na saída da escola colava na praça com os skatistas lombreiros. Juventude transviada. Bebendo catuaba. Capotava e virava a noite chapado na calçada do Pinheiro. Hoje bairro fantasma. Lembrava o Uivo de Allen Ginsberg. Eu vi os expoentes da minha geração mendigando uma dose de pinga com limão. A intera do litrão. Mangueando e causando confusão. Tumultuando. Cantando uma canção. Sobre anti-heróis do passado. Algum velho hippie ou uma sapatão. Diversão de montão. Amanhecia na praia. Chegava de ressaca em casa e vomitava no chão. Correndo na contramão dessa gente morta. Acordam. Trabalham. Comem. Dormem. Enquanto se fodem. Não gozam direito a preguiça. Por essa razão vivem indiferentes. Incapazes de questionar, assimilar e desenvolver pensamentos revolucionários. O ócio as libertaria. Pois teriam tempo para pensar. Pessoas exaustas. Mijando em suas próprias vidas. Estão fudidas. Ficarão mais ainda e morrerão… Era só um pivete. Jogava Donkey Cong numa tv de quatorze polegadas. Assistindo cine privê atravessava a madrugada. Devia ter uns quinze anos e mais nada. Navegava no myspace. Hardcore. Punk. Demos. Vídeo tapes de skate. Conheceu os vícios. Parou num hospício delinquindo contra o estabelecido. Lia uns tantos livros. Chapava de cana e cheirava comprimidos. Fudido. Menino perdido. Inapto para um sistema opressivo. Incapaz de se manter vivo. Foi seduzido pela morte. Induzido ao suicídio. Fechou a porta atrás de si. Cansou de existir.

(PISICO)

Nenhum comentário:

Postar um comentário