terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Imaterial


O espaço está fluindo
Para onde?
Efeito do Nbomb
Realidade distorcida
Um doce na língua
Virou um vício acordar no outro dia
Sexo, drogas, ritmo e poesia
Chapei, desenhei, escutei um som
Desbaratinei lendo um livro bom
Faço rimas tão necessárias quanto necessidades fisiológicas 
Vomito ideias
Eu não vivo no físico 
Eu me criei homem
Eu vivo no espírito
A CIA conspirou pra matar Fidel e Che Guevara
Acharam o corpo do Cris em uma vala
Estou fumando maconha prensada
Menino bandido 
As vezes me preservo
Noutras suicido
Já não abraço uma causa
Penso no fim do mundo
E no fim do capitalismo 
Não vejo nada
Previsões embaçadas
Quero morar em Slab City, Califórnia 
Com viciados, punks, hippies, doentes mentais e artistas viscerais
Rappers vem promovendo mentalidade consumista nas letras
Exaltam marcas escravocratas 
Falam um monte de besteiras
Na quebradinha falta comida na mesa
Meu coração vai ser pesado na balança de Maat
Não quero renascer
A cidade astral vai ser minha vibe

(PISICO)

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Divina crônica


No CAPS uma mulher negra doente mental tinha uma teoria sobre Deus que me comoveu
Perder a fé nos enlouquece, meu filho, e beijou minha mão 
Quase não contive a emoção 
É preciso cultuar o ordinário 
E no meio do senso comum perceber os sábios 
Ela cortou cana até enlouquecer
O drama é viver 
Sofrer
Ela disse que é tudo um teste divino
A vida é um jogo
Eu estou me divertindo
Não vejo bicho com nada
Já vendi água na praia
Enquanto catava lata
O cosmos é Deus brincando consigo mesmo
A criação é uma masturbação
Fico me perguntando se está valendo a pena continuar vivo
E sinto que dá pra continuar se ainda há bons livros e maconha pra fumar vendo bons vídeos
Como se Deus tivesse me fodido
Eu havia enlouquecido 
Me trancaram em um hospício 
Uma viciada em crack me confessou um homicídio
O clichê dita que o tempo cicatriza todas as feridas
Só que não 
O tempo é uma ilusão da percepção
Molotov na polícia na manifestação 
Não seja pego
Não vá para prisão 
Transitando por Zonas Autônomas Temporárias 
A revolução é uma festa
Tipo um street de skate
Fumei o último beck do pedaço de cinquenta
E dei a luz a este poema
Eu fumava crack na lata 
Nas ruínas cagadas da quebrada
Enfermo de desespero adolescente 
Bebia aguardente
Já era pra mim estar morto na realidade 
Com esquizofrenia 
Na psicose do crack
Parei de comer
Pálido e raquítico 
Óbito de pedra 
Meu objetivo
Penso em tempos que não voltam
A solidão me devora agora
Vendi droga
Furtei quadrinhos num sebo
Não ligo pro hype
Tô cuspindo no mic
Fumei prensado mofado 
Da Feira do Rato

(PISICO)
 

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Entre as ruínas da existência


A brisa bate e a polícia também 
É toda diversão que nóis tem
Rabisco na mureta
Fumaça subindo pá cabeça 
Ainda faço um documentário 
Sobre poetas arruinados
Nunca sóbrios 
Sempre chapados
Metidos em surubas com veados
Sublime sujeira poética 
Peço licença pra meter na poesia
E gozar na estética 
Foda-se a métrica 
Não sei o que é isso
Com intensidade usufruo das palavras 
Como quem fode uma puta velha
Minha verborragia é trágica e bela
Aceito o roteiro que cosmo bolou para mim
Bolando baseados espero o fim
Fiz o necessário na busca do êxtase
Para buracos negros estrelas são um banquete
Não é uma metáfora 
Interprete como quiser
É loucura fluida
Meu sêmen na cara de uma puta qualquer
Comprar maconha é melhor do que trepar
Curtir um som para reverenciar a natureza
Vendo Tiê no YouTube 
New School MPB
Na sequência um rap sujo
Para um beck acender
Enjoado de pornografia 
Atuei num filme ambientado na Feira do Rato
Gravamos na biqueira 
Crônica do Submundo 
Bolei o título e o texto do bagulho
Tô com as drogas, já 
Peguei na linha
Cinquenta reais
Dez balinhas
Dinheiro sinônimo de felicidade 
Ou superficialidade
Necessidade arraigada na sociedade Realidade capitalista e mediocridade
Classe dominante não é elite 
É desumanidade
Só alma suja curtindo um melô de quebradinha
Indomável
Lirismo abominável 
Dirty Bastard da city
Em meio a pussys, maconha, violência, sujeira e resiliência 
Negritude e sapiência das ruas
Convívio na picadilha, vivência

(PISICO)

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Não queremos crescer


Brinco com meu corpo de carne e osso
Curto drogas, sexo e sou louco
Mas minha alma é imortal
Na morte irei para uma cidade astral
Ninguém morre realmente 
Também dominam esse conceito os sábios do oriente
Chapado na alucinação da palavra
Verborragia trágica 
Noiados, crack, polícia, massacre
Misturei uísque com coca cola
No decorrer da festa comi sobras de pipoca
Dormi na rua saindo da offhouse
Vendo Sonic Youth no YouTube pela manhã trancado no quarto
Fumando um baseado
Larica é pão assado
Os crentes do culto da doutrinação junkie estão seguindo em frente 
Tal qual um carro desgovernado prestes a causar um acidente 
Overdoses, suicídios, assassinato em massa
Somos velhos adolescentes em perigo
Nos recusamos a crescer e ver nosso cabelo caindo
As drogas acabaram
Fiquei deprimido
Com uma lata de refrigerante fiz o meu cachimbo

(PISICO)

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Espírito sujo


Eu nunca irei ficar rico através do rap
Um viado negro bêbado me pagou um boquete
Ser underground não é tão glomouroso
Anonimato, drogas, biqueira, pipoco
A vida é um jogo
Este meu corpo é um avatar
Depois de morto irei retornar
Para o sistema maior de consciência 
Para voltar a jogar
Tom Campbell elaborou a teoria da realidade simulada
É sério que você irá o questionar
Sem ter propriedade para contra argumentar?
Leu meia dúzia de livros e quer me ridicularizar
A minha poesia é esotérica 
Longe de lugar comum
Sem me preocupar com a métrica
Sim, a vida bela
Em meio a todo caos e miséria 
Tudo isso se torna superficial
Quando nos confrontamos com o essencial
Nosso corpo espiritual
Fractal da fonte que tudo é 
Deus é 
Eu sou o divino manifesto 
Em cada gesto
Da sujeira da sociedade
Para a espiritualidade 
Efêmera fisicalidade

(PISICO)

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Matrix


Neo estava preso na Matrix a sonhar
Até Morpheus o libertar 
Sociedade do espetáculo
Simulacros e simulação 
Humanos massificados
Rappers de plástico
Estereotipados 
Descartáveis tipo absorvente usado
Aqui chove balas para todos os lados
Tô fumando um baseado
Nos fones de ouvido
Um gangsta rap fluindo
Fim de tarde caindo
Casos de suicídio infantil na tela do instagram
Arrasto pra cima
Na brisa vou bolando umas rimas
A maconha acabou
A depressão voltou
E as lembranças
Nas antigas chacoalhava o clorofórmio na garrafa d'água encontrada no lixo da praia 
Loló e cachaça 
Punk rock e as primeiras garotas
Beijo na boca
Mão na buceta e na rola
Presentes do universo
Não existe errado
Não existe certo
Tô cozinhando
Ouvindo MPB no Rádio
Dois becks me deixaram lombrado
Larica monstruosa
Só tinha macarrão com sardinha
Muito daora
Se é o que tem a gente come
Uma mãe negra nunca me deixou passar fome
Mesmo quando morávamos numa casa de taipa no interior
Mulheres pretas não são vadias 
São deusas
Mas nesse mundo sujo 
Tem muito malandro rafamé
Que não representa a quebrada
Maluco dá no pé
Deixando uma mina negra grávida 
Big bosta Brasil
É minha pica suja no cio
Não consumo esses lixos televisivos
Leio quadrinhos Vertigo 
E livros usados adquiridos nos alfarrábios
Tomo remédio controlado
Se não me torno periculoso surtado
Já perambulei ensandecido vandalizando os carros
Hoje sonhei que era um membro cascudo do Wu Tang Clan e metíamos um assalto
Mãos ao alto
Estou roubando a cena de fato
Fudendo a vida de quatro
Andando sempre chapado
Com o Mr. Off tô dropando um doce
Estamos vendo a porra do universo derretendo em cores
Fazendo fumaça
E o pensamento longe
Eu continuo queimando fumo
Longe da polícia 
Eu nunca li a bíblia
Mas minhas linhas são apocalípticas
Morte aos vermes
Mandaram matar Marielle
Rachando no bairro
Só fiz golaço
Pés descalços
Adversários fracos
Escrevendo no quarto
Compus uns clássicos
Mente vazia
Oficina do diabo
Inaceitável
Liricista nato
Mc's fracos
Executá-los-ei
Jamais irei escutá-los
Playboys folgados
Serão massacrados
Com as minhas rimas
Cometo assassinatos
Me deixem em paz
Racistas otários
Manos mortos violentamente
Na city ande sempre atentamente
A gente é tratado como bicho pelo Estado que promove o genocídio de pobre, preto, favelado
Eu tô ligado
Ruah foi assassinado gratuitamente nas ruas do jaçamaica injustamente
O piva não devia nada
Deixou saudade na rapaziada
O tempo voou agora tenho mais de 30
Não virei estatística
Mas hoje perdi a noção
Do tempo e do espaço
Sonhei com uma gostosa
Trepando de salto
Acordei num sobressalto
Com uns versos engatilhados 
Passando a mensagem sobre nos libertar
Eu expandi consciências
Antes limitadas
Condicionadas a aceitar
O que nos empurram goela abaixo para nos escravizar
Propaganda subliminar
Está no ar
O colonizador quer me reprogramar
Com suas balelas sobre o que eu tenho que comprar
A mais nova porcaria que feliz me fará
Eu dou muitas risadas os vendo discursar
A nova ordem mundial
Hahaha
Minha consciência racial eles não podem tirar
Eu sou uma ideia a prova de balas 
Tipo o V de Vingança 
Eles não podem me matar
Mas com certeza irão tentar
Nem um passo atrás
Eu não vou recuar
Pra encerrar eu mando um foda-se
Zica vai morrer pra lá

(PISICO)

Fuga da realidade


Tem crack, maconha e cocaína
Buceta de puta fresquinha
No mercado da produção
Onde deixei minha pixação
RMO e PISICO 
Rabisco perto da biqueira na estação
Ninho de nóia em papelão improvisa o colchão 
Balinha de cinco na linha do trem
Eu fumo também
Encaro a realidade para fugir dela
Após três baseados a vida é bela
Entre tragos e tragadas
Um cigarro após o outro atravessando a madrugada
Dropando umas películas pornográficas
E uns noisecores
Destruindo os acordes
Enquanto o povo se fode 
Na faixa de gaza os palestinos morrem
O Hamas é terrorista 
Mas na realidade é Israel que aterroriza
E os yankees patrocinam o conflito genocida que abate a Palestina
Na minha adolescência a cachaça, o loló e a massa era o que havia
No breu dos vícios a mente se refugia
Ando meio sóbrio hoje em dia
Só fumo uns baseados 
Pego leve no álcool
E de vez em quando dou uma trepadinha
Passo tempo 
bolando as mais sujas poesias

(PISICO)