quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Matrix


Neo estava preso na Matrix a sonhar
Até Morpheus o libertar 
Sociedade do espetáculo
Simulacros e simulação 
Humanos massificados
Rappers de plástico
Estereotipados 
Descartáveis tipo absorvente usado
Aqui chove balas para todos os lados
Tô fumando um baseado
Nos fones de ouvido
Um gangsta rap fluindo
Fim de tarde caindo
Casos de suicídio infantil na tela do instagram
Arrasto pra cima
Na brisa vou bolando umas rimas
A maconha acabou
A depressão voltou
E as lembranças
Nas antigas chacoalhava o clorofórmio na garrafa d'água encontrada no lixo da praia 
Loló e cachaça 
Punk rock e as primeiras garotas
Beijo na boca
Mão na buceta e na rola
Presentes do universo
Não existe errado
Não existe certo
Tô cozinhando
Ouvindo MPB no Rádio
Dois becks me deixaram lombrado
Larica monstruosa
Só tinha macarrão com sardinha
Muito daora
Se é o que tem a gente come
Uma mãe negra nunca me deixou passar fome
Mesmo quando morávamos numa casa de taipa no interior
Mulheres pretas não são vadias 
São deusas
Mas nesse mundo sujo 
Tem muito malandro rafamé
Que não representa a quebrada
Maluco dá no pé
Deixando uma mina negra grávida 
Big bosta Brasil
É minha pica suja no cio
Não consumo esses lixos televisivos
Leio quadrinhos Vertigo 
E livros usados adquiridos nos alfarrábios
Tomo remédio controlado
Se não me torno periculoso surtado
Já perambulei ensandecido vandalizando os carros
Hoje sonhei que era um membro cascudo do Wu Tang Clan e metíamos um assalto
Mãos ao alto
Estou roubando a cena de fato
Fudendo a vida de quatro
Andando sempre chapado
Com o Mr. Off tô dropando um doce
Estamos vendo a porra do universo derretendo em cores
Fazendo fumaça
E o pensamento longe
Eu continuo queimando fumo
Longe da polícia 
Eu nunca li a bíblia
Mas minhas linhas são apocalípticas
Morte aos vermes
Mandaram matar Marielle
Rachando no bairro
Só fiz golaço
Pés descalços
Adversários fracos
Escrevendo no quarto
Compus uns clássicos
Mente vazia
Oficina do diabo
Inaceitável
Liricista nato
Mc's fracos
Executá-los-ei
Jamais irei escutá-los
Playboys folgados
Serão massacrados
Com as minhas rimas
Cometo assassinatos
Me deixem em paz
Racistas otários
Manos mortos violentamente
Na city ande sempre atentamente
A gente é tratado como bicho pelo Estado que promove o genocídio de pobre, preto, favelado
Eu tô ligado
Ruah foi assassinado gratuitamente nas ruas do jaçamaica injustamente
O piva não devia nada
Deixou saudade na rapaziada
O tempo voou agora tenho mais de 30
Não virei estatística
Mas hoje perdi a noção
Do tempo e do espaço
Sonhei com uma gostosa
Trepando de salto
Acordei num sobressalto
Com uns versos engatilhados 
Passando a mensagem sobre nos libertar
Eu expandi consciências
Antes limitadas
Condicionadas a aceitar
O que nos empurram goela abaixo para nos escravizar
Propaganda subliminar
Está no ar
O colonizador quer me reprogramar
Com suas balelas sobre o que eu tenho que comprar
A mais nova porcaria que feliz me fará
Eu dou muitas risadas os vendo discursar
A nova ordem mundial
Hahaha
Minha consciência racial eles não podem tirar
Eu sou uma ideia a prova de balas 
Tipo o V de Vingança 
Eles não podem me matar
Mas com certeza irão tentar
Nem um passo atrás
Eu não vou recuar
Pra encerrar eu mando um foda-se
Zica vai morrer pra lá

(PISICO)

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